segunda-feira, 28 de setembro de 2009

I'm kidding

um tango enroscado mexer com livros infantis. semana passada, quase comprei exemplares de livros-brinquedo. um deles era da coleção "leia e abrace" e chamava-se "a coelhinha divertida". perigo, vinha um fantoche. na sexta, conheci um de banho, totalmente plastificado, tinha até olhos que se movimentavam. e foi assim que "tuca, o tubarão" me conquistou. hoje descobri um intergalático, perdido na órbita da redação, com planetas-cartões em formato pizza. quase o devorei. "o caos impera" já diria aquela marionete-raposa da película "o anticristo". aliás, será que ela está à venda também? brinquedos para gente que se apequena...

domingo, 27 de setembro de 2009

Anti-conselho

as últimas linhas desescritas aqui prometeram ser as últimas desaparecidas. e são. por cerca de seis meses sumida, retorno agora, sem mala e cuia na mão, mas respiros no braço, antebraço, joelho, em mim. volto a me dar o direito de ter tempo. um direito escuso, bem malandro. creio que escolhi essa vida de "era pra ontem" quando pequena, e em alguma aposta de adolêta. devo ter puxado o rabo de algum bicho estranho e como revés tive a punição de dedar o cotidiano. achei a brincadeira desafiadora e assumi a guarda do escrito. e do vivido também. tempos depois descobri que eram teúdos e manteúdos de si e dos nossos. um escrevia e o outro vivia. o outro vivia e o um escrevia o todos pelo falar de cada um. uma teia com desmembramentos inconclusos, mas adjuntos.

se escrita fosse boa, ninguém a teceria.
se escrita não fosse meu mal, descompassada se calaria.

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Último post antes do fim da correria

tenho trabalhado bastante desde fevereiro, vulgo tenho sumido. da vida, do msn, do orkut, do descompasso, do twitter que tenho e não tenho, do facebook que não tenho e tenho, de mim. conduzi dois trabalhos durante três meses, quase morri de cansaço. abri mão de um deles, mas continuei nos corres diários.

cunho este post como o último de aperto de tempo do mundo.
voltarei a viver, finalmente.

tanta saudade dos amigos durante este período. agora, chega.
estou na contagem progressiva para reaparecer. oba!

quinta-feira, 12 de março de 2009

Meninos, o dia já envelheceu, entrem para fora

o atrasado: não dirige o passo e atropela a palavra.
o adiantado: acorda mal-humorado.
irrealidade: em permanentes distrações.
perigo: o de sempre, por favor.
consciência: massinha tóxica para adultos.
mo[vi]mento: a ponta, o laço, o avesso, a etiqueta aparecendo.
damaged goods: na clandestinidade de horas sem trégua.
at the count of three: o toque de recolher líqüido.
dia-há-dias: o quer dizer então.
ar: insiste em lembrar que tengo... e tango que.

quarta-feira, 11 de março de 2009

Ao luxo de ser meio tipo hermética

caminhar descalça: me fala sobre o resto do mundo.
difusa: com cada uma é outra e é igual.
confusa: com cada uma a ausência é outra.
bifusa: com cada uma a ausência é igual.
vênus: linhas das mãos.
medo: tontería na estantería.
ingresso: o barulho da pipoca que não acaba.
egresso: o direito aos mais cinco minutos sem mundo.
uso sistêmico: inscrever "tenho medo do quão perfeito você é em suas imperfeições", fecha aspas e mãos aos olhos.
uso tópico: escrever "pronta pra outras e pra triciclo", encerra expressão e abre ação.

terça-feira, 10 de março de 2009

Eu sou grande, fico acordada até mais tarde

malícias: aterro para alguns, porto para outros.
epifanias: não atingem, ultrapassam.
coleções: de mãos perdidas.
perdições: moram perto e são nômades.
ciúmes: vizinho 171 que faz barulho e não assume.
ácidos: o poder da traça no dentro.
esterilidades: lugares com lugares.
brevidades: cátedras de infusão.
amor: paz por ocupação quadrada de tormento interior.
ódio: um retrato cego em cores.
guerra sem fim: a paz comigo mesma.
no recompor-se: a inútil crueldade da análise.
no desfazer-se: a útil maldade da psicanálise.

segunda-feira, 9 de março de 2009

Toma esse xarope

racional: colarinho alvejado, sem mancha de batom.
emocional: logro vestigioso, obstinado em desventuras.
mocinho: o que vira a caça.
bandido: o que vira a cachaça.
pequenez: deixa o bicho externo tomar conta do mundo interno.
altivez: não deixa soluçar um gole de mundo.
sede: palavras guardadas sem exatidão de momentos.
fome: desejos esquecidos como esquecimentos lembrados.
inveja: animais em busca do cheiro do cu alheio.
la izquierda: o grande cenário.
la derecha: elenco de apoio.
el marromeno: estou tentando não me conseguir.