Segunda-feira, 29 de Junho de 2009

Take care of yourself

metendo a colher e os olhos nestas linhas calle-bouillier...

"Aquele homem me agradava, mas na nossa primeira noite de amor tive medo de olhar para ele. Eu achava que ainda amava Greg, e temia ser dominada pelo pensamento de que aquele não era o homem que deveria estar ali, na minha cama. Preferi fechar os olhos. A incerteza persistia na escuridão. Um dia, fiz a bobagem de dizer a ele porque eu mantinha as pálpebras fechadas na cama. Ele não deixou transparecer seus pensamentos. Alguns meses depois, finalmente livre do fantasma de Greg, abri os olhos, certa de que a partir daquele momento era aquele outro que eu queria ver. Eu não sabia que seria nossa última noite: ele ia me deixar".

Aquilo que acontece possui uma tal antecipação que nunca podemos ir ao seu encontro e conhecer sua verdadeira aparência.

)O outro(

Quinta-feira, 25 de Junho de 2009

Duas histórias reais fazem uma novela

)A carta de amor(
"Sobre a mesa, está jogada displicentemente, há anos, uma carta de amor. Eu nunca havia recebido uma carta de amor. Encomendei uma a um escritor público. Oito dias depois, recebi uma linda carta de sete páginas, escrita à mão, em versos. Havia custado cem francos, e o homem dizia: "... sem fazer um só gesto, segui você por toda parte..."".

Quarta-feira, 24 de Junho de 2009

Uma história real faz gi-nas-ti-qui-nha

acompanhar sophie calle com olhos reais é delicioso. o olhar repousa em um canto qualquer da sua pupila e seguimos de mãos dadas por suas confidências-flash. acompanhar sophie calle com palavras irreais é amedrontador. a palavra é inquieta, corre de um lado para o outro, revoltando-se pelas quinas. pior que brinquedo bate-volta. tirem as crianças da sala. titia sophie está em nosso meio, sem mais pra cá ou mais pra lá. take care of yourself, porque myself está ocupada com linhas, barras e botões da costura la sophie. ô, deadline do bom para esta semana...

"Eu posava nua, todos os dias, entre nove horas e meio-dia. E todos os dias, um homem sentava na ponta esquerda da primeira fila e ficava me desenhando durante três horas. Depois, exatamente ao meio-dia, ele pegava no bolso uma lâmina de barbear e, sem tirar os olhos de mim, lacerava meticulosamente o desenho que havia feito. Eu não tinha coragem de me mexer, ficava só olhando o que ele fazia. Depois, ele saía do ateliê, deixando para trás aqueles pedaços de mim mesma. A cena se repetiu 12 vezes. No décimo terceiro dia, não fui trabalhar".
)A lâmina de barbear(

Segunda-feira, 22 de Junho de 2009

O karma coletivo [e feminino] aborrece

as mulheres esperam que esperam. os anos, os vestidos, os amores. falam daquele que não volta, daquilo que volta, das coisas que têm que voltar. momentos mínimos de realidades. às vezes, escutam os internos. nem tão sempre, o externo. significam algo? procuram documentos estrangeiros a si próprias. tentam ligações, desabafam inquietudes, estranham saídas. terminam por combinar com tudo e com o mesmo. a dita e cuja neurose cotidiana. não desesperam psicologias desmembradas. para quê? para que precisem ser mais do que são. enquanto falam sobre compreensão, não refletem. quando escutam o amor, não o percebem. significam alguém? esperam que as esperem. penso que é inútil. melhor fazerem de conta que são de conta. que se apaixonam por um som ou por um filósofo alemão inexistentes. que não necessitam da lucidez do destino: aquele cômodo, muito incômodo, que apóia os anos, os vestidos, os amores. elas precisam re-significar. para quê? para não serem mais do que são em suas intermitências diárias. arrumar mala, abandonar objetos e subjetos, levar nada, esquecer tudo.

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para grande número de mulheres os caminhos da transcendência estão barrados: como não fazem nada, não se podem fazer ser; perguntam-se indefinidamente o que poderiam vir a ser, o que as leva a indagar o que são: é uma interrogação vã; se o homem malogra em descobrir essa essência secreta é muito simplesmente porque ela não existe.
[simone de beauvoir]
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Quinta-feira, 11 de Junho de 2009

For dummies

ergo os braços e os apóio na parte superior do box. transporto a saboneteira dos quadris para os ombros. a água revolta o silêncio nos últimos dias de abril. sim, abril. corro sem começos de semanas. e maio decidiu voar enquanto junho engatinha tímido. tento acomodar a cabeça na lateral do ombro esquerdo como quem escuta atrás de portas. descubro segredos naquele cair de marés contidas. acumulações passam o tempo. ocas e opacas, de enfrentamento e de vontades, burburinham pelos cantos, fuxicam por minhas arestas. meu corpo repuxa o alto-mar. o tempo, que há tempos não é mais meu, bóia por não sei aondes. sigo o barulho vermelho das ambulâncias.

Domingo, 19 de Abril de 2009

Derre-lições

daí que as bundas têm coração... como é?... elas têm... mas é de comer ou de escutar?... tenho certeza... do quê?... da gula... e da bula?... isso não... quem disse?... gombrowicz tinha razão... por quê?... a gente começa pelo bumbum... e?... alguém fodeu esta merda e fugiu pelo buraco... alice?... nada, o cu e lho... e daí?... ninguém está bem, nunca vai estar... ainda bem!... daí que os bundas têm coração... como não é?

Segunda-feira, 13 de Abril de 2009

Abro, nego, não fecho, empresto fiado

se fosse passarinho, as canelas acusariam o cansaço. mas não. o retorno de mundo. sem home e, pior, sem hamm. a tinta fresca em minhas paredes internas gritam, embrulham o estômago, pedem para clov chegar e começar com tudo de uma vez por durantes. e eu por nadas. clov aceita que lhe deixem partir. e eu abandono hamm em algum momento. sigo com um olhar para trás, e sete para frente. igual gato. caio de pé, com sobrevidas. sinto-me velha demais para criar novos hábitos. fujo para um lugar chamado fujo para um lugar que ninguém chama. estou tentando me conseguir.